sábado, 28 de março de 2009

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Eu passei tanto tempo desejando que ele fosse menos grudento e mais romântico, que ele fosse poeta em suas cartas, ou músico ao conversarmos, que acabei por me esquecer do que realmente importava: ele era tudo o que eu queria.

Open Your Eyes

Descobri que o que muitas pessoas dizem sentir ao tocar determinados objetos ou pessoas, eu sinto ouvindo música. E é sério, pode ser que não seja nada além de emoção, ampliada pelo ambiente ou momento, ou ambos.
Só sei que é sempre ouvindo música que eu me desmonto inteira, que eu fico sem nenhuma proteção, completamente vulnerável, e tão mais forte e determinada ao mesmo tempo. Sou capaz de guardar o que penso e sinto por semanas, talvez por achar que é apenas esquisito e complexo demais pra qualquer ser humano entender e então de repente, ouço uma música qualquer e ela parece me traduzir, me ler mais perfeitamente do que qualquer um que me conhece faria.
E aí acontece exatamente o que mais me assusta nessa vida: eu estou só, nua e vulnerável, pois aquele compositor que nem sabe da minha existência me conhece mais do que eu mesma.
E é aí que todas as emoções que sempre escondo vem à tona, é quando eu sou mais eu do que qualquer outra coisa.
É quando eu choro pelo que aconteceu, é quando escrevo as cartas mais bonitas (que são também as que eu nunca entrego), é quando penso que tudo o que queria era ter ele de volta ao meu lado, sem nem me importar com tudo pelo que passamos.
É quando tudo que eu queria era NÃO estar sozinha em casa, ouvindo o vocalista dizer "Levante-se, saia, afaste-se desses mentirosos, pois eles não entendem sua alma ou seu fogo".


All this feels strange and untrue
And I won't waste a minute without you
My bones ache, my skin feels cold
And I'm getting so tired and so old

The anger swells in my guts
And I won't feel these slices and cuts
I want so much to open your eyes
'Cause I need you to look into mine

Tell me that you'll open your eyes

Get up, get out, get away from these liars
'Cause they don't get your soul or your fire
Take my hand, knot your fingers through mine
And we'll walk from this dark room for the last time

Every minute from this minute now
We can do what we like anywhere
I want so much to open your eyes
'Cause I need you to look into mine

Tell me that you'll open your eyes

All this feels strange and untrue
And I won't waste a minute without you

(Snow Patrol - Open Your Eyes)

sábado, 14 de março de 2009

Estudos, Literatura Clássica, Um Pensador Contemporâneo Relativamente Desconhecido e Sócrates

Estava estudando hoje. Sim, sexta feira, o dia da semana que não tenho aula, fiquei em casa estudando. Aproveitei que não tinha nada pra fazer e resolvi ler uns textos que passaram essa semana.
E meu, é incrível! Um texto sobre literatura clássica do Italo Calvino, de 1981, e eu "pirando" na leitura... É sério, li 2 vezes. A primeira pra ler, mais ou menos, e a segunda pra resumir.
Não sou muito fã de resumos, acho meio saco ficar resumindo textos. Mas é realmente útil pra se estudar, meu nível de entendimento do texto triplicou ao resumi-lo...
Nerd, nerd, nerd, eu seu, fazer o quê?
Agora, um trecho de Cioran citado no texto, que cito aqui:
"Enquanto era preparada a cicuta, Sócrates estava aprendendo uma ária com a flauta. 'Para que lhe servirá?', perguntaram-lhe. 'Para aprender esta ária antes de morrer.' ".

sexta-feira, 6 de março de 2009

Eu acabei de sair da frente da tevê. Estava vendo um filme, cujo nome eu surpreendentemente já esqueci. Enfim, o nome do filme não me importa.
O que interessa é que o ponto inicial da história é um homem (interpretado por John Goodman) que está indo a uma escola de dança encontrar sua antiga namorada de infância,(no quinto dia, do quinto mês, do quinto ano após a virada do milênio) mais de quarenta anos depois da última vez que eles se encontraram.
Foi isso que chamou minha atenção. Não vou dar uma de spoiler e contar o filme todo, até porque nem lembro o nome dele, ao menos. Mas a quem interessar, sim, o filme é bonzinho (digo isso por causa do final clichê, a história e seu desenvolvimento são ótimos)...
Essa história, do homem que vai à procura de sua amiga de infância, me lembrou de um caso que aconteceu com meu avô.
Eu só soube disso há uns 2 ou 3 anos no máximo, ou seja, depois que meu avô já tinha morrido, então não pude ouvir mais detalhes da história da boca dele mesmo. Aliás, nenhum detalhe, só sei da história por cima mesmo, bem porcamente...
Um dia, meu avô (não sei nem se ele já era pai, ou casado, na época), conheceu uma moça. Uma moça qualquer, um ser humano genérico, não faz muita diferença como ela era, sendo que eu nem sei seu nome. Também não sei mais onde eles se conheceram, esse era mérito da minha mãe, quem esqueceu fui eu.
De qualquer forma, parece que a moça era legal, gente boa, etc, etc, depois de um tempo de papo ela e meu avô decidiram se encontrar na Praça da Sé, no primeiro dia após a virada do ano 2000 (ou seja, no dia 1o de janeiro de 2000, duuuuuh!), para ver o que a vida teria feito com cada um deles.
Nunca soube se a moça foi, porque meu avô não foi. Fico pensando se fosse hoje, se ele teria ido. Eu, se soubesse de tudo desde antes, teria tentado convencê-lo a ir, talvez até me oferecesse para ir com ele, movida pela curiosidade. Será que ela, assim como ele, criou uma família, casou, teve filhos e netos?
Que frustrante saber que essa minha curiosidade nunca será saciada!