segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Crise Existencial

Minha última crise dura há mais ou menos uma semana. Não que eu esteja mal, ou algo do tipo. E, na verdade, acho até que já está passando. Mas fiquei tão saturada, de repente, de tudo e de todos, que passei uma semana sem querer falar com ninguém. Me isolei o máximo que pude, só fui ao trabalho todos os dias. Devo confessar que nem à faculdade fui todos os dias da semana.
Aliás, grande parte dessa minha crise é por causa da faculdade. A cada dia que passa tenho mais certeza de que esse curso não é pra mim, que não quero fazer Jornalismo, que não quero ser jornalista, ou repórter, ou redatora, ou o que quer que seja relacionado à grande mídia.
Mas e aí? Estou tão perto do fim do primeiro ano que agora não vale a pena desistir. Fico imaginando a cara do meu pai. Minha mãe eu acho que já se conformou, já conversei com ela e disse que não estou gostando do curso, que não é o que quero fazer, e já busquei uma alternativa, da qual eu acho que ela se não gostou, pelo menos entendeu e aceitou. E o lado dela da família, idem. Eles me apóiam, na medida do possível.
Já o meu pai eu não sei como vai ser. Conversei com ele, já. Disse que era melhor eu desistir ao fim do primeiro ano, do que fazê-lo pagar 4 anos de faculdade à toa. Mas acho que ele ainda não digeriu bem a idéia.
Mas isso é só uma parte. Eu também não aguento mais São Paulo, não aguento mais o Brasil. Não é falta de patriotismo, é excesso de desilusão, mesmo. Fico pensando no meu futuro, e a cada dia que passa tenho mais certeza de que não quero criar uma família em um lugar como São Paulo. Não quero que eles cresçam em um lugar onde você sai de casa de manhã pra trabalhar e não sabe se vai voltar. Não quero que eles cresçam vendo mendigos pedir esmola nas calçadas. É claro que quero que meus filhos conheçam a realidade e saibam que isso existe. Mas eles não precisam conviver com isso pra saber.
Outro dia, o Bora me disse uma coisa que é verdade: todo mundo adora falar mal dos EUA, e dizer que "americano é cuzão". Mas e aí? Os EUA podem ter seus defeitos, como qualquer nação. Mas a verdade é que os caras são tão organizados que eles conseguem permitir que cada cidadão tenha uma arma, e eles não saem por aí atirando a torto e a direito. Tenta fazer isso no Brasil pra você ver.
Na minha opinião, brasileiro é que é "tudo cuzão". Estou cansada dessa malandragem, do famoso "jeitinho brasileiro", de todos sempre quererem tirar vantagem em cima de tudo.

Eu não vejo a hora de mudar de vida. Eu não vejo a hora de ir embora desse país.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Eu sei que faz um tempinho que não escrevo por aqui.
Mas juro que não é por mal, apenas ando muito ocupada, cheia de trabalhos da faculdade a fazer, textos do teatro para decorar, e, agora, a auto-escola. (não, ainda não comecei, começa semana que vem. Mas tenho que fazer coisas como exames médico e psicotécnico, ir ao Detran, etc.)
Enfim. Hoje apareci, mesmo sem nada demais a dizer...
Não vejo a hora de o ano acabar e as férias começarem...

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Hoje eu telefonei para o Consulado Geral da Itália no Brasil. Decidi que está na hora de eu correr atrás das coisas que quero, e resolvi ver o que preciso para conseguir a minha (tão desejada) cidadania italiana.
A verdade é que o processo me pareceu bem simples, o que me preocupa é a demora (pelo que vi no site deles, parece que a lista de espera é bem longa), além dos custos que eu sei que não serão poucos. Mas a verdade é que com eles estou até que conformada, o que posso fazer em relação a eles? Mas o tempo está me matando.
Ansiosa como eu, como aguentar um processo que provavelmente demorará mais que dois anos??? Eu sei que vale a pena. Por isso que estou correndo atrás. Mas que ninguém merece uma demora dessas, ninguém merece!
Fora isso, também quero tirar o mais cedo possível meu passaporte aqui do Brasil. Não que eu pretenda ir viajar imediatamente, mas se a gente nunca começa a fazer as coisas, elas nunca acontecem!
Então resolvi agilizar tudo que está ao meu alcance pra quando eu tiver o crucial pra fazer as malas e ir embora daqui: o dinheiro. Esse bendito papelzinho verde, que insiste em tentar me tornar sua escrava. Mas eu digo (e repito) em alto e bom som, pra quem quiser ouvir: ele não conseguirá!
Mas eu topo fazer alguns esforços pra chegar no meu objetivo.
Ah, e continuo querendo fazer um mês de trabalho voluntário em alguma reserva natural na África. Imaginem as fotos que eu conseguiria!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Crise existencial.

Dia totalmente improdutivo.
Por quê? Eu e meus problemas, como sempre.
Falta de auto-estima, de confiança em mim e nos outros, tudo. Como sempre.
E o medo de tomar uma decisão errada e ter que viver com o peso dela pra sempre.
Como posso não confiar nas pessoas que amo? Como posso esperar sempre o pior das pessoas?
Como posso continuar convivendo com essas pessoas, se não confio nelas? Por que não confio nelas, se sei que os problemas são meus, e não delas?
Por que essa dificuldade em acreditar, por que sempre acho que alguém está querendo me passar a perna?
Estou cansada, estou de saco cheio, estou deprimida e, nesse momento, tudo o que eu queria era sumir do mapa.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

A Escritora

Ela gostava de escrever.
Queria aprender mais sobre como se faz algo tão banal quanto escrever se tornar um mistério ou um grande romance.
Tentava. Tentava de novo, e nada. Não conseguia. Simplesmente não dava. Quando era ela quem escrevia, as palavras não lhe pareciam nem um pouco mágicas, nada poéticas. Eram apenas palavras.
Mas então, um dia, ela a conheceu. Velhinha, vinha descendo a rua com a coluna curvada para a frente, com o peso dos anos vividos em suas costas, e com as pernas apoiadas na bengala.
A garota mal podia acreditar: a escritora cujs contos tanto a haviam inspirado estava ali, bem na sua frente. Sua empolgação era tamanha que não sabia ao menos o que falar. Então perguntou a única coisa que apareceu em sua mente: "Qual o segredo? Como fazer as palavras soarem como mágica?"
E a resposta, ao mesmo tempo óbvia e inesperada: "Sonhe, menina. É preciso sonhar."
Naquela noite, a garota voltou para casa e escreveu. Escreveu até seus punhos doerem (sempre preferira papel e caneta ao teclado), até seus olhos arderem de tanto sono aliado ao esforço de escrever à noite, sob a luz do abajur. Escreveu até dormir sobre o papel. Até sonhar sobre reinos distantes e seres estranhos e coloridos.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

“Que ninguém hesite em se dedicar à Filosofia enquanto jovem, nem se canse de fazê-lo depois de velho, porque ninguém jamais é demasiado jovem ou demasiado velho para alcançar a SAÚDE DO ESPÍRITO.”

Epicuro, na sua "Carta sobre a Felicidade", a Meneceu.

Super

Naquele momento, ela considerava-se completa.
Era feliz, não precisava de mais nada e de mais ninguém.
Tinha em sua mente tudo o que faria de sua vida, já estava tudo planejado, tudo programado.
Ela não esperava conhecê-lo. Mas também, que diferença fazia? Ele era só mais uma pessoa que conhecera em seu caminho.
Mas ele foi se aproximando, entrando de fininho em sua vida. E, quando ela finalmente deu por si, já estava mais uma vez no meio daquele turbilhão de emoções, de sentimentos que pareciam sair do âmago de seu ser e envolvê-la, abraçá-la, sufocá-la.
E então ela percebeu que, antes dele, ela era, sim, independente. Mas não tão bem resolvida quanto aparentava ser. Quanto ela mesma pensava ser. E descobriu que, encontrando a ele, foi que ela conseguiu finalmente se encontrar.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Coisas que Adoro

Adoro gente que é como eu.
Adoro gente que não é como eu.
Adoro acordar cedo e lembrar que é final de semana e posso dormir até mais tarde.
Adoro sentar no sofá e ver fotografias velhas.
Adoro dormir e acordar do lado dele.
Adoro ver filme comendo pipoca.
Adoro tirar fotografias de tudo e de todos.
Adoro lembrar das pessoas que conheço e dos amigos que tenho.
Adoro ficar aqui na casa dele.
Adoro escrever.

Coisas que Odeio

Odeio gente que faz de sua alegria estragar a alegria dos outros.
Odeio gente que não sabe aproveitar as oportunidades que tem e depois quer estragar as dos outros.
Odeio gente que faz de tudo pra tentar viver a minha vida.
Odeio gente que quer ser eu. (Há uma diferença entre querer ser como eu e querer ser eu.)
Odeio gente que esquece que já teve sua chance, desperdiçou e agora que tanta água já rolou, resolve que quer outra chance. Esquece, queridinha.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Pelo direito de não ser cool

Eu não sou cool. E nem quero ser. As pessoas se esforçam tanto para tentar ser diferentes, que acabam ficando todas iguais(pelo menos no microcosmo casperiano, com as devidas exceções, é claro).
Aliás, o que é ser cool? Usar franjinha mesmo com meu cabelo cacheado? , isso eu faço. E não sou cool. É estudar jornalismo na Cásper (não entendo essa mania dos (as) alunos (as) da Cásper de querer ser cool)?
É usar roupas coloridas/listradas/com nomes de bandas/filmes favoritos (ou não)?
Eu não sou cool, nem quero ser. É só mais uma modinha, como tantas outras. Nada contra quem goste. Mas eu não consigo seguir um único estilo, muito menos seguir o mesmo estilo por muito tempo. Oras, não preciso usar uma camiseta com a foto da minha banda favorita estampada, só para que saibam qual é meu gosto musical (até porque ele é bastante variado). Se eu quiser usar, uso. Mas não me prenderei a isso.
Assim como não me prenderei a usar unhas vermelhas, ou estampas de oncinha, ou minha saia indiana (que eu tanto adoro). Tudo depende do dia, do clima, do meu humor. E não de ser cool. De ser imitada, ou seguida, ou igual a um determinado grupinho.
Pelo direito de não ser cool.

Saudades

Hoje acordei com saudades do meu avô.
Não que eu não sinta, normalmente. Mas hoje ela veio mais forte.
Felizmente, já faz um tempinho que ela não vem mais acompanhada pela dor da perda. Agora, sinto saudades dele, mas ao mesmo tempo uma paz muito grande que me dá a certeza de que estamos bem. De que eu vou ficar bem, e que vou saber me virar sem ele. Já estou aprendendo, na verdade.
Sinto saudades de muitas coisas. De muitas pessoas, de muitos momentos. Já senti falta de mim mesma. De como eu era. Agora não mais. Estou bem comigo mesma, estou feliz. E sinto falta, sim, de várias coisas do meu passado, de momentos, como já disse. Mas não quero, de modo algum, voltar a ser quem eu fui um dia. Eu cresci, amadureci, e acredito estar bem melhor agora.
Quem não entende, ou não aceita isso, paciência. Não vou deixar de ser quem EU quero ser, pra agradar a meia dúzia de gatos pingados que não estão nem aí pra hora do Brasil...