quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Ele

Ele não sabia o que tinha de errado. Se aquela garota que estava sentada na sua cama, com ele, era tudo que ele sempre quis por tanto tempo, por que de repente tudo parecia tão errado?
Por que, depois de tantos anos sendo seu amigo, e de alguns anos sendo seu namorado, tudo o que ele via nela parecia ter deixado de ser especial?
Não que ele não gostasse dela. Porque ele sabia que gostava muito. Sabia que gostava tanto que não suportaria vê-la dar as costas ir embora. Gostava tanto que tinha medo de morrer se ela deixasse de vê-lo.
Mas a cada dia ele tinha mais consciência de que o fim se aproximava. Nada assim de muito palpável. Era só aquele silêncio que ultimamente parecia envolver tudo o que eles faziam. Todos os momentos de ternura pareciam vir acompanhados de uma melancolia, uma angústia, aquela última lágrima que nunca chegou a cair e aquele nó que insistia em ficar na garganta o tempo todo.
Era como uma nuvem que insistia em ficar sobre sua cabeça. Fazia sombra, mas também impedia o sol de entrar.
Ele só sabia que não havia mais aquele brilho nos olhos dela. Que ele não sentia mais tanto prazer assim em passar seus dedos pelo cabelo comprido dela. Que ela já não deitava mais em seu colo com tanta frequência, e eles agora só raramente falavam de planos para o futuro.
Aliás, eles agora só raramente falavam de qualquer assunto que fosse.
Era triste. Era uma situação triste. Mas o que ele poderia fazer? Ele havia tentado, vinha tentando arduamente. Havia uma parte dele que ainda tinha esperanças de que aquilo tudo fosse só uma fase, que logo iria passar e tudo voltaria a ser como antes. Mas havia outra parte, bem lá no fundo, que sabia que não ia mais ter jeito.
Não que ela não o fizesse feliz mais. A presença dela ainda iluminava seu dia, ainda era ela que o fazia sorrir quando tudo mais dava errado e ainda era nela que ele pensava todos os dias quando acordava e todas as noites quando ia dormir.
Mas e se só estivesse acabando porque tudo, um dia tem seu fim? Eles realmente deviam lutar tanto assim contra isso? E se fosse inútil tentar evitar?
Tudo isso passou por sua cabeça em um lampejo enquanto olhava para os olhos grandes e castanhos dela, que o fitavam esperando por uma resposta para uma pergunta que ainda não havia sido verbalizada.

5 comentários:

  1. Que triste... me deu um aperto no coração só de ler!

    Talvez os culpados não tenham sido eles, mas a rotina. Ela sempre aniquila qualquer relação.

    Saudades Mari!

    Beijos!

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  2. Comovente. Como faz pra escrever tão bem? Com o último parágrafo você conseguiu criar um arrepio em minha espinha, daqueles que levantam todos os pelinhos dos braços...
    E eu ainda estou esperando o "Ela"...

    Te amo, linda!

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  3. Ah é! Eu voltei: http://enlightened-eyes.blogspot.com


    ;D

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  4. Não sei pq, mas acho que já ouvi isto antes!

    Msm assim, está bem escrito!

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  5. Tem um meme pra ti lá no meu blog!

    Beijos!

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