quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Sunny

O sol brilhava e o ar do dia estava pesado, parado.
O verde nos campos à frente dele parecia opressor, de tão imenso.
Sem saber o que fazer, sentado na grama e vendo a tarde passar, ele a viu passar.
Ela passou alegre, leve e distraída. Sem percebê-lo. Sem sabê-lo.
Ele nem ao menos se levantou. Apenas a observou.
E a viu passar, junto com a tarde.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Vontade

E de repente vem essa vontade de escrever. De soltar cores, formas, luzes. De tentar encontrar meu modo de iluminar esse quarto imundo, essa noite escura, esses meus tênis encardidos.
Nem sempre as palavras parecem bastar. Há momentos em que temos que nos bastar, nós mesmos, sem artifícios, sem maquiagem, sem penteados ou roupas ou palavras. Há momentos em que temos que ser fortes o suficiente pra encarar que essa corrida, essa dor, esse amor, esse tanto sofrer são mais do que necessários. São essenciais.
Essa bagunça à minha volta me incomoda. Mas também me aconchega, essa bagunça já tão característica em tudo que me rodeia é uma boa representante de tudo aquilo que quero e que não quero, que penso e que não digo, aquilo tudo que sou eu.
Eu sou uma bagunça. Das grandes. E esse emaranhado, já nem sei mais se quero que se desfaça. O que vai sobrar, se ele um dia se desfizer? Não sei. Prefiro não descobrir.
Pelo menos por enquanto, a bagunça, o emaranhado, a inconstância me satisfazem mais do que qualquer outra coisa.
E a dor? Ela é uma parte importantíssima disso tudo.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Not a Quitter

Às vezes na vida passamos por momentos em que sentimos vontade de desistir dos nossos sonhos. Momentos em que esses sonhos parecem imaturos, bobagens vindas de um modo juvenil de pensar. Eu infelizmente tenho a péssima mania de achar que meus sonhos e planos sempre são imaturos e bobos.
Mas querem saber? Não são não. Os nossos sonhos e planos têm a importância que nós damos a eles. Se achamos que eles são pueris, então é isso que eles são. Mas se os levarmos a sério, então eles se tornam objetivos sérios em nossas vidas.
Eu tenho muitos sonhos e planos pra minha vida. Claro que dou mais importância a alguns, e menos a outros. É assim com tudo na vida, afinal, não é? A importância que dou a esse planos também muda de acordo com o momento pelo qual estou passando na minha vida, é claro. Mas a verdade é que todos eles têm algo de mim, algo que eu quero ser ou ter na vida.
E se tem algo que aprendi nesse último ano, é que não é o seu saldo de vitórias ou derrotas que te torna um vencedor, e sim se você desiste logo na primeira dificuldade ou se continua insistindo até conseguir o que quer da vida. E eu desisti de desistir. Me? No, not a quitter. At least, not anymore.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Ok, não tem jeito. Eu sou inconstante e intempestiva, e não consigo escrever aqui on a regular basis. O que posso fazer? Eu sou assim. E nesse momento, minha vida anda corrida, complicada, e o tempo pra escrever está cada vez mais escasso.
Estou feliz com as coisas no modo como estão, entretanto. É estranho. Parece que faz tanto tempo que eu venho engolindo sapos, guardando minhas mágoas, tristezas e raivas pra mim mesma (seria isso amadurecer?), que quando as coisas simplesmente seguem seu curso e tudo vai bem, eu tenho a sensação de que algo muito errado está acontecendo, ou está pra acontecer. Será que sou estranha por ser assim?
Acho que simplesmente passei tanto tempo guardando meus problemas pra mim mesma, me fechando, que ele foram ganhando uma proporção muito maior do que realmente têm. Não gosto de falar sobre meus problemas pros outros, acho que cada um tem os seus pra cuidar e não gosto de fazer papel de vítima. Mas acho que justamente por isso, por guardá-los pra mim, que foi se criando esse buraco dentro de mim.
E, agora que ele parece estar se fechando, que as coisas parecem estar melhores, é como se faltasse alguma coisa. Como se eu tivesse deixado algum pedaço de mim pelo caminho, sabe?
Talvez isso seja normal. Ou não, talvez eu realmente seja louca, vai saber. hahaha
O importante é que, com pedaços faltando ou não, a vida está boa agora. Neste exato momento, eu tenho aquela esperança cheia de certeza que me diz que as coisas estão boas, eu estou feliz, e que qualquer problema que apareça simplesmente não é tão grande que me faça perder a melhor época da minha vida. Afinal, pra quê ficar frustrada pensando no que AINDA não consegui, se eu sei que tudo tem seu tempo, e que minhas atitudes hoje estão me levando pra um futuro que vai ser muito melhor do que eu posso sequer imaginar?
É isso aí.

Ah, e o Ri, amigão meu de muuuuuuuuito tempo, começou um blog, o Talkin' 2 Myself, que eu estou amando! Dêem uma olhada!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Madrugada

Quase todas as noites, depois que todos já haviam ido dormir, ela resolvia se levantar. Nunca soube direito o por quê disso, talvez ela achasse que conseguia raciocinar melhor assim.
Na verdade, talvez aquela fosse a única hora em que ela conseguisse realmente pensar em si, e colocar seus interesses acima dos interesses alheios sem se sentir egoísta. Era de madrugada que ela podia se entregar à leitura de algum livro que gostasse por horas,sem se preocupar com os pequenos afazeres cotidianos atrasados. Podia se esquecer do trabalho por fazer, dos amigos e até mesmo da família. Ninguém saberia que ali, em seu quarto, na calada da noite, ela pensava em si, e somente em si.
E fazia planos, pensava no futuro e no que ela queria para sua vida. Como tudo iria mudar, ela ainda não sabia dizer. Mas tinha a certeza de que a vida lhe reservava boas surpresas e boas notícias, afinal todo esforço tem sua recompensa.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Garoa

Hoje o sol não saiu. O céu está cinza, e quando o céu fica cinza, eu tendo a enxergar o dia todo nessa cor. Mas hoje tem um quê diferente. O sol não brilha lá fora, mas brilha dentro de mim.
Aqui dentro, todas as cores se misturam em festa, num Carnaval fora de época e sem explicação. Lá fora, a garoa, o silêncio. Aqui dentro, a risada, a praia, a música.
Não que tenha acontecido algo de especial, não. Na verdade, coisas especiais acontecem todos os dias, só precisamos aprender a enxergar, a ouvir...
Não preciso que ninguém saiba desse festival rolando aqui dentro, entretanto. Não é aquela euforia que nos dá vontade de gritar, o que sinto. É uma felicidade só minha, interna e toda festa .
E eu deixo o dia rolar, deixo as pessoas passarem na rua, cada uma com suas alegrias, tristezas e preocupações, sorrindo comigo mesma por saber desse segredo que é só meu.
Lá fora pode garoar, mas aqui dentro o sol brilha.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Nostalgia

Não sei bem o que está acontecendo comigo hoje, mas acho que ando meio nostálgica... Não que eu queira voltar no tempo, estou muito bem, obrigada, no presente. É só que hoje as lembranças me pegaram de jeito. Fiquei relembrando momentos engraçados da minha infância, da época da escola... Pensei nos amigos que nunca mais vi, e lembrei, com alegria, dos que ainda vejo.
Talvez esse sentimento que não sei bem como descrever seja alegria. Pura e simples alegria, ao perceber que pelo menos até o presente momento, não possuo arrependimentos de qualquer ordem, e que posso sim, sem dúvida, olhar pra trás e dizer que valeu a pena. Talvez eu esteja ficando velha mesmo, no fim das contas...
Ou, talvez, seja apenas como Drummond já dizia: " Eu não devia te dizer/ mas essa lua/ mas esse conhaque/ botam a gente comovido como o diabo" ...

P.S.: Pra quem gostou dos versos, eles formam a última estrofe do famoso "Poema de Sete Faces". Quem ainda não conhece, vale a pena ler!!!
P.P.S: Agora que meu blog tá bonitinho e arrumadinho, eu andava meio desanimada pra escrever... Mas sinto que ando mais inspirada ultimamente!